Ricardo Martins 3º Dan (Aikido Tradicional)

CREF 00482-P/RJ, Grau Prêto em MuayThai e KickBoxing, Treinador de Boxe, CrossFit – L1 Trainer, Coach especializado em Treinamento Físico Funcional e Pilates

As Origens do Kobudo Japonês.

Aikido Journal

As Origens do Kobudo Japonês
http://www.aikidojournal.com/articleindex?authorID=11
Aikido Journal #100 (1994)
http://www.aikidojournal.com/articleindex?issueID=aj100

Escrito por Meik Skoss
Tradução – Jaqueline Sá Freire (Hikari Dojo – Brazil Aikikai – RJ)
Revisão – Ricardo Martins

Meik Skoss

Meik Skoss

Apesar do sistemático treinamento no uso de armas e os métodos para usá-las em batalhas existirem há muito tempo, acredita-se que o desenvolvimento das tradições, escolas, ou estilos marciais (ryu-ha) só surgiram após o final do período Heian (794-1185). O mais importante deste treinamento era o estudo do uso de arco e flechas (yumi), da espada (tachi), e da lança (yari). No inicio, estas armas não eram estudadas como artes separadas. Como a necessidade era de se preparar para o combate no campo de batalha, muitas armas diferentes e habilidades estratégicas e táticas eram ensinadas como parte de sistemas de estudo (sogo bujutsu).

A partir do meio do período Muromachi (cerca de 1480) ao princípio do período Tokugawa (cerca de 1605) as pessoas gradualmente começaram a se especializar em uma determinada arma ou em um sistema, particularmente arco e flechas, lança, espada, lutas corpo a corpo e o uso de cavalos. Os guerreiros se reuniram em grupos centralizados em famílias ou treinavam com outros membros de suas áreas natais. Como as técnicas e os métodos destes grupos se tornaram mais e mais individualizados, ou a partir do ponto em que os professores tinham um ponto de vista particular quanto a natureza essencial e os princípios do combate, surgiram discretas “tradições” ou “estilos” ou “escolas” marciais (bujutsu ryu-ha). Isso começou a ocorrer no início da era Keicho (cerca de 1600), recebeu um maior ímpeto através do período Tokugawa (1600-1868), e prosseguiu até o século vinte.

Kobudo

Kobudo

As áreas mais famosas pelo desenvolvimento das tradições marciais clássicas (koryu) se localizam, como é dito, na região de Kanto, “Heiho wa Togoku kara”: heiho vem do Leste, o que se refere à área de Kanto nas cercanias de Tókio (heiho significa artes marciais ou militares; estratégia). Os santuários de Kashima e Katori ficam dos lados opostos do Rio Tone nas áreas de Ibaraki e Chiba.

Lá são adoradas as deidades marciais Xintoístas mais importantes: Takemikazuchi no Mikoto (Kashima Jingu) e Futsunushi no Kami (Katori Jingu). Eles, junto com a deusa Budista Marishiten, são os patronos e divindades protetoras de muitas das tradições marciais. Os registros históricos mostram claramente que os jovens guerreiros se reuniam, ou eram enviados por seus mestres, para um treinamento avançado nestes santuários, que se tornaram os centros para as artes marciais, após o final da era Heian. Eventualmente, isso levou à fundação das mais antigas tradições formais conhecidas nas artes marciais, a Kashima Shinto-ryu e a Katori Shinto-ryu.

Morihei Ueshiba (Lança)

Morihei Ueshiba praticando com Yari

Durante o período Muromachi (1333-1568), quando o bujutsu ryu-ha começou a ser formado, guerreiros famosos como Aisu Ikkosai e Kamiizumi Isenokami Hidetsuna (que depois passou a ser chamado de Nobutsuna) do Kage-ryu, Chujo Hyogonosuke do Chujo-ryu, Iizasa Choisai Ienao do Katori Shinto-ryu, e Tsukahara Bokuden do Kashima Shinto-ryu viajaram através do Japão para treinamento militar (musha shugyo) para desenvolverem suas habilidades e para obterem melhor compreensão sobre o combate, e também para ensinarem seus estilos e sistemas individuais para guerreiros locais e para pessoas que tinham sido seus alunos no início de suas carreiras. Com o tempo, isso levou ao desenvolvimento de ramificações de escolas (bunryu) ou de facções (bumpa), que depois se tornaram a base para centenas de outras escolas estabelecidas em cada um dos domínios feudais (han).

Kobudo 1

Kobudo

Após a metade do período Tokugawa e do firme estabelecimento de seu governo militar feudal (bakuhan seido), os senhores dos maiores e menores feudos (daimyo, shomyo) competiam para atrair guerreiros conhecidos por suas habilidades, e os nomeavam como instrutores nas escolas oficiais. Esses homens ensinavam aos senhores feudais e seus súditos hereditários como profissionais, servindo por um período de tempo e então indo para seu próximo trabalho. Não era incomum que uma escola particular se estabelecesse em uma área especifica e se tornasse uma parte permanente do currículo marcial. Em alguns casos um sistema marcial era designado como uma escola “oficial” (otome-ryu), sancionada e apoiada pelo senhor feudal local.

Morihei Ueshiba (Bokken)

Morihei Ueshiba praticando com Bokkuto

Literalmente, esta condição de “oficial” significava que o estilo não podia ser estudado por guerreiros que não pertencessem àquele feudo em particular. Em raros casos, o que ocorria era que os instrutores de uma escola não podiam deixar a área do feudo, ou que a arte não podia ser demonstrada para pessoas de fora. Estudiosos da atualidade sugerem que, mesmo assim, esta proibição de guerreiros de outros feudos ou que os professores saíssem da área do clã nunca foi uma coisa absoluta e que quase certamente era uma exceção e não a regra. A proibição era mais teórica que qualquer coisa, pois os guerreiros estavam sempre se movendo entre Edo (atual Tókio) e seus próprios feudos e outros lugares devido a trabalhos oficiais.

Registros contemporâneos revelam que não era raro que o bushi requeresse ou fosse mandado para treinar as artes marciais tradicionais ou nas escolas de outros clãs. Os daimyo, então, criaram escolas dos feudos (hanko) aonde seus guerreiros podiam estudar tanto assuntos acadêmicos quanto militares, incluindo estilos locais praticados apenas pelos guerreiros do feudo bem como as escolas mais famosas que eram seguidas por todo o país.

Budo

Budo

Assim, os bujutsu-ryu proliferaram tremendamente, “brotando como cogumelos após o fim da chuva”, nas palavras de uma autoridade. No final do período Edo, de acordo com o Nihon Kobudo Sokan (Uma Visão sobre as Artes Marciais Clássicas Japonesas), havia cerca de 52 ryu-ha de kyujutsu (arco e flechas), 718 kenjutsu (espadas), 148 sojutsu (lanças), e 179 jujutsu (combate corpo a corpo). Mas as mudanças sociais, econômicas, e culturais que ocorreram no Japão durante os últimos cento e trinta e cinco anos (desde a Restauração Meiji em 1868) fizeram que muitos kobudo ryu e/ou seus sistemas afiliados (bunryu, bumpa) desaparecessem, deixando para trás nada além de seus nomes. Provavelmente não há mais que umas poucas centenas destas escolas marciais clássicas que tenham mantido seu currículo técnico de forma viva, junto com os documentos que detalham suas linhagens e tradições.

O_sensei (Jo)

Morihei Ueshiba praticando com Jo

As artes marciais clássicas no Japão ocupam uma posição tênue na sociedade atual. Elas não são amplamente compreendidas ou estudadas por Japoneses ou por estrangeiros e isso cria ainda mais dificuldades. Bujutsu pode ser visto (justificadamente por um ponto de vista) como um anacronismo totalmente despido de relevância na vida moderna. De forma igualmente justificável, ele pode ser visto como uma herança cultural importante que pode nos informar e enriquecer a todos, não importando o que fazemos, de onde somos e quem somos. Talvez o fato de ele ainda existir no caótico ambiente da vida no final do século vinte seja uma indicação de sua vitalidade e adaptabilidade.

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  • Aikidô e Armas: A última palavra?

    Aikido Journal

    Aikido Journal #108 (1996)
    http://www.aikidojournal.com/article?articleID=31&lang=pt

    Escrito por Stanley Pranin
    Traduzido por Nelson Wagner
    Revisado por Ricardo Martins

    A discussão sobre a inclusão ou não do treinamento com armas dentro da prática do Aikidô é bem grande e com freqüência temos oferecido no Aikido Journal um espaço para quem apóia ou não sua existência. Tenho observado e também participado destas discussões e neste momento desejo propor alguns pontos os quais eu não recordo de serem mencionados anteriormente.

    Como primeiro ponto, penso que um bom começo seria revisar o que Morihei Ueshiba mencionou a respeito das armas. Sem necessidade de cair em uma grande argumentação histórica a respeito, vou ressaltar alguns pontos. Como temos documentado de forma exaustiva nos últimos dez anos, a maior influência técnica no Aikidô é o Daito-ryu aikijujutsu. O mestre de Ueshiba, Sokaku Takeda, era um grande esgrimista e um “expert” no manejo de armas que passou muitos de seus anos de formação estudando uma grande variedade de armas. Takeda tomou o Jujutsu como fundamento essencial na instrução de suas técnicas, especialmente nos anos nos quais portar espadas estava proibido por lei. O “bujutsu” de Takeda era inclusivo por natureza e de nenhuma maneira se pode considerar limitado exclusivamente às técnicas de Jujutsu. As técnicas do Daito Ryu estão concebidas sobre os princípios da espada.

    Outro fato: de 1942 pelo menos até o final dos anos 50, Morihei Ueshiba passou uma grande quantidade de tempo em seu “dojo” campestre de Iwama experimentando com o “Aiki Ken” e o “Aiki Jo”. Um dos seus principais alunos desta época , Morihiro Saito foi uma testemunha de primeira mão neste processo e o corpo que alberga o conhecimento que surgiu deste esforço nesta parte da vida pode ser visto hoje em dia no Aikidô de Saito Sensei . Uma das críticas contra esta afirmação diz algo assim “O-Sensei simplemente experimentava com as armas na realidade nunca desenvolveu este aspecto do treinamento como uma disciplina completa como seu taijitsu ou as técnicas sem armas”. O problema deste ponto de vista é que o período referido é de cerca de 20 anos. Isto, seria suficiente para um artista marcial qualificado como Ueshiba para integrar este conhecimento em seu treinamento.

    Recorde, também, que em 1937 o Fundador tomou ações para ingressar nas artes clássicas baseadas em armas como o Kashima Shinto-ryu, em seu dojo na “Kobukan”. Inclusive, se encontra seu juramento de sangue nos arquivos desta escola.

    Posteriormente, ressaltarei que muitos dos termos técnicos do Aikidô se derivam do “kenjutsu”. Palavras como “tegatana”, “shomenuchi”, “yokomenuchi”, e “shihonage” claramente refletem um conhecimento da esgrima. Assim mesmo, uma grande quantidade das técnicas que caracterizam o Aikidô, como “iriminage”, se baseiam em movimentos de entradas claras com a espada. De fato o conceito de “irimi” ou entrar provêem do manejo do sabre. Para ser claro, o estudo e a prática de armas foi una paixão de muitos anos do fundador. Aqueles que sugerirem o contrário são ignorantes da historia do Aikidô ou tem algum outro interesse para suas afirmações.

    De toda forma, é um fato histórico que o fundador do Aikidô proibiu a prática do “ken” e do “jo” no Aikikai Hombu Dojo com exceção das aulas do Saito Sensei.

    Mais que um fator revelador, poderei perguntar me: Deveria ser surpreendente que o Hombu Dojo de hoje tem afirmado publicamente – me refiro as afirmações publicadas do “Dojo-cho” Moriteru Ueshiba e o 8º dan Masatake Fujita – nas quais se diz que o treinamento com armas não é parte do Aikidô?.

    A resposta à pergunta sobre se o Aikidô inclui ou não o treinamento de armas depende da definição da autoridade a quem você consulte. Não existe um acordo universalmente aceito sobre o que o Aikidô é técnica ou filosoficamente. Entretanto, o praticante médio observa a seu instrutor imediato como a autoridade final com respeito à arte. Inclusive, uma organização não pode impor seu ponto de vista no conteúdo e nível de treinamento de um dojo a não ser que se adote um rígido esquema de regulamento. Esta aproximação inibe de maneira séria o crescimento e influencia do grupo como já se demonstraram várias vezes.

    Como exemplo, dentro da organização do Aikikai Hombu – cuja posição oficial, como vimos, exclui o treinamento de armas – professores de renome como Shoji Nishio, Nobuyoshi Tamura, Kazuo Chiba, e Mitsunari Kanai entre muitos outros, incorporam iaido em seu currículo. Nenhuma ação foi tomada para prevenir lhes de fazer isto. Da minha opinião, o debate se concentra em um elemento semântico. No haverá uma resposta satisfatória para a pergunta que relaciona Aikidô e armas que convença todo mundo.

    Todas as argumentações no mundo acerca das virtudes e vícios neste tipo de treinamento, não mudaram este fator. Aqueles em que seus professores promovem o treinamento, ou quem, de maneira independente chega a concluir que as armas são um complemento importante ao treinamento no “taijutsu”, procederão de acordo com suas convicções. Aqueles que foram persuadidos sobre o perigo e como é inadequado frente ao progresso no taijutsu, rechaçaram as armas e herdaram um grupo de prejuízos que lhes servirão para justificar suas posições.

    É esta a última palavra sobre isto? Duvido, porém espero haver contribuído com umas novas perspectivas no que diz respeito ao debate.

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    "A aceitação da dor é o primeiro passo para suportá-la, caso contrário, o pessimismo, a impaciência e a intolerância, poderá transformá-la num fardo alem de suas forças." Ivan Teorilang

    Frase do Dia:

    Está se sentindo desorientado (seu "aiki" não está rolando), não sabe o caminho (DO) que deve seguir, tem problemas existenciais, precisa de aconselhamento. Percebe que uma "intervenção", no seu caso, é necessária porque já identifica problemas somáticos, psíquicos ou psicossomáticos.
    Não procure uma arte marcial, yoga ou atividade física. Nenhum "sensei", nenhum "shihan" por mais "graduado", experiente, maduro e inteligente que esta "divindade" seja vai te ajudar. Filiações não funcionarão, tampouco... Não perca seu tempo com guru, sensei, shidoin, shihan, Krus, do, jutsu etc... Você precisa de um profissional competente e devidamente habilitado para te ajudar no restabelecimento de seu bem-estar e de sua saúde.

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    Ricardo Martins
    sensei@ricardomartins.pro.br