Ricardo Martins 3º Dan (Aikido Tradicional)

CREF 00482-P/RJ, Grau Prêto em MuayThai e KickBoxing, Treinador de Boxe, CrossFit – L1 Trainer, Coach especializado em Treinamento Físico Funcional e Pilates

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Bodhidharma: O primeiro patriarca do Zen Chinês.

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Bodhidharma

Daruma ou Bodaidaruma é o nome japonês de Bodhidharma, o mestre indiano que viveu no séc. V ou VI dC. É o primeiro patriarca do Zen chinês (Ch’an) e o 28.º na linhagem do Budismo Indiano iniciada por Buda Shakyamuni. É ainda considerado o introdutor das artes marciais nos templos Shaolin.

A tradição conta que Bodaidaruma pertencia à casta dos guerreiros, e era o terceiro filho do rei Koshi. O seu nome de nascimento era Bodaitara (“A Pérola da Suprema Iluminação”) e desde cedo o brâmane Hannyatara verificou a sua predisposição para a prática do Buddhadharma. Contudo, só depois da morte do pai, e após passar sete dias em samadhi, Bodaitara se dirigiu a Hannyatara para receber os preceitos.

Desde logo revelou a sua maturidade na prática, e Hannyatara deu-lhe o nome de Bodhidharma (“Aquele cuja Iluminação é Toda-Penetrante”) e profetizou quanto ao caminho que deveria seguir. Depois do Parinirvana do mestre, Daruma deveria viajar até à China para aí transmitir o Dharma.

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Jardim Zen

Permaneceu assim junto de Hannyatara durante cerca de quarenta anos, até que a ligação kármica com a China amadureceu e Daruma partiu de barco numa viagem que duraria cerca de três anos. Aportou em Nankai, na costa sul da China e foi recebido pelo Imperador, que lhe perguntou quais os méritos que tinha acumulado ao construir templos, publicar sutras e ao ajudar a Sangha, ao que Daruma respondeu: “Nenhum que se veja!”. O Imperador perguntou-lhe então: “Qual é a essência do Budismo?” “Vasto vazio e nenhuma essência”. Finalmente, o imperador indagou: “Já que dizes que no Budismo as coisas não têm essência, então quem está a falar diante de mim?” e a resposta veio da mesma forma abrupta: “Não sei!”.

Bodhidharma

Bodhidharma

Daruma viajou para o Norte e atravessou o rio Yangtze, de acordo com a previsão de Hannyatara. Aí instalou-se no Templo Shaolin Shorin-ji, onde praticou ininterruptamente durante 9 anos, sentado diante de uma parede. Durante esse tempo de meditação, os membros ter-se-iam atrofiado e mesmo caído. Segundo outra história Bodhidharma teria cortado as pálpebras por ter adormecido e ao atirá-las para o chão estas deram origem… ao chá verde. Mais prosaicamente, outra versão indica que Bodhidharma teria trazido alguns pés da planta do chá para a China. Em todo o caso, o chá ficou para sempre ligado à cultura Zen.

Teve poucos discípulos, tendo a linhagem sido transmitida a Hui-k’o. Alguns anos depois da sua morte, um oficial chinês relatou ter encontrado Bodhidharma nas montanhas da Ásia central. Transportava um bastão do qual pendia uma só sandália e disse ao oficial que ia de volta para a Índia. Quando souberam desta história, os monges abriram o seu túmulo. Só lá estava uma sandália.

Estas e outras histórias, algumas contraditórias, explicam a iconografia de Daruma, representado frequentemente com metade do corpo, olhos esbugalhados (sem pálpebras), ou transportando uma sandália. Quando lhe perguntaram quanto tempo levou a pintar o retrato de Daruma, Hakui respondeu: “dez minutos e oitenta anos”.

Budô

Budo

Nos escritos que se lhe atribuem, disse: “A única razão da minha vinda à China foi para transmitir o ensinamento súbito do Mahayana. Esta mente é o Buda. Não falo sobre preceitos, devoções ou práticas ascéticas como a imersão na água e no fogo, pisar uma roda de facas, comer uma refeição por dia ou nunca se deitar. Estes são ensinamentos fanáticos e provisórios. Uma vez que reconheças a tua, sempre em movimento, milagrosamente consciente natureza, a tua é a mente de todos os Budas”.

Zen

Zen

Daruma e o Zen


Bodhidarma

Bodhidharma

Bodhidharma ensinava que a iluminação não se encontra em livros ou rituais, mas no interior de nós mesmos. E através da meditação limpamos os véus do obscurecimento e recordamos a nossa natureza de Buda.

Bodhidharma definiu o Zen como uma transmissão especial para além das escrituras, que não depende de palavras ou letras, mas aponta diretamente para a mente, vendo a nossa verdadeira natureza e alcançando a Iluminação (“A special transmission beyond Scriptures, Not depending on words or letters. But, pointing directly to the Mind, seeing into one’s true Nature, and realizing one’s own Enlightenment”).

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Zen

Esta mente é por ele descrita como, desde tempos sem começo, nunca ter mudado. “Nunca viveu ou morreu, apareceu ou desapareceu, cresceu ou diminuiu. Não é pura nem impura, boa ou má, passado ou futuro. Não é verdadeira nem falsa. Não é macho ou fêmea. Não surge como um monge ou um laico, um ancião ou um noviço, um sábio ou um louco, um buda ou um mortal. Não procura a realização e não experimenta o karma. Não tem solidez ou forma. É como o espaço. Não o possuis e não o perdes.

Os seus movimentos não podem ser bloqueados por montanhas, rios ou rochas. Nenhum karma pode restringir este corpo real. Mas, esta mente é sútil e difícil de ver. Não é o mesmo que a mente dos sentidos. Todos querem ver esta mente e os que movem os pés e as mãos à sua luz são tão numerosos como as areias do Ganges, mas quando lhes perguntas, não conseguem explicá-la. Pertence-lhes e usam-na.

Mas, porque não a podem ver?… Só os sábios conhecem esta mente, esta mente chamada natureza do dharma, esta mente chamada libertação. Nem a vida nem a morte a pode libertar. Nada pode. Também se chama o Imparável Tathagata, o Incompreensível, o Eu Sagrado, o Imortal, o Grande Sábio. O nome varia mas não a essência.”

Kanji

Aikido

Dados biográficos recolhidos de Denkoroku, The Record of the Transmission of Light, da autoria do Mestre Zen Keizan Jokin
Citações traduzidas livremente de The Zen Teaching of Bodhidharma
Para mais reproduções de Daruma, ver:  www.shambhala.com/zenart

http://pt.wikipedia.org/wiki/Bodhidharma

http://daruma.paginas.sapo.pt/daruma_bodhidharma.htm

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  • Aquele que corre.

    Monja Coen

    Napoleão Xavier Gontijo Coelho
    Yo Ho Ryo Kei – Monge Zen-Budista

    http://www.monjacoen.com.br/textos-budistas/textos-diversos/176-aquele-que-corre

    Não deve haver quem corre, somente a corrida.

    O corredor deve se ater essencialmente à respiração e ir em frente, sempre em frente, sem almejar nada, não se preocupando com os vizinhos, com os amigos, inimigos, até que, em determinado momento, todos desaparecem.

    A corrida só se faz quando quem corre, já abandonou a corrida e já não está presente mas, no entanto, não está ausente.

    Amplie a todo instante o contato com sua respiração, mantenha atenção absoluta a tudo sem, no entanto, se envolver com nada, lide com a noção de unidade com todos os acontecimentos sem se apegar a nada.

    Corra, respire.

    A cada instante desmascare suas percepções, não se deixe enganar por nada: o feio, o bonito, o sagrado, o profano, o alto, o baixo. Essas são discriminações de sua mente consciente programada. Volte-se sempre para uma coisa só, por exemplo, a respiração.

    Não esmoreça.

    Num determinado momento você pode perceber que está correndo sem saber. A exaustão propicia isso de uma forma esplêndida. Neste momento você não está mais apto a ser observado pelos outros porque você já não sente os outros, na verdade os outros e você já não existem, ou melhor, nunca existiram.

    O júbilo surge nesse momento.

    Só o júbilo e não quem o sente. Esse júbilo é a possibilidade máxima, é romper o limite de todos as coisas e formas. Aí você vê o que é a realidade e por um pequeno momento, ou quem sabe por toda a eternidade, deixa de ver o que não existe, e vê o que realmente existe.

    Nesse momento se desfaz a trama da ilusão da vida e da morte.

    Nesse momento põe-se o pé na eternidade de onde nunca ninguém o tirou, dessa forma, a vivência passa a invadir todos os afazeres do dia-a-dia.

    Aí …

    … não há resíduos de nenhuma explicação da realidade;

    … é a realidade limpa da irrealidade;

    … não está você;

    … não está nada além da absoluta percepção do todo atemporal;

    … o som e o não-som não se confundem mais, simplesmente passam a ser o som e o não-som;

    http://www.monjacoen.com.br/textos-budistas/textos-diversos/176-aquele-que-corre

    Copyright © 2009 Monja Coen

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  • Lembre-se:

    "A aceitação da dor é o primeiro passo para suportá-la, caso contrário, o pessimismo, a impaciência e a intolerância, poderá transformá-la num fardo alem de suas forças." Ivan Teorilang

    Frase do Dia:

    Está se sentindo desorientado (seu "aiki" não está rolando), não sabe o caminho (DO) que deve seguir, tem problemas existenciais, precisa de aconselhamento. Percebe que uma "intervenção", no seu caso, é necessária porque já identifica problemas somáticos, psíquicos ou psicossomáticos.
    Não procure uma arte marcial, yoga ou atividade física. Nenhum "sensei", nenhum "shihan" por mais "graduado", experiente, maduro e inteligente que esta "divindade" seja vai te ajudar. Filiações não funcionarão, tampouco... Não perca seu tempo com guru, sensei, shidoin, shihan, Krus, do, jutsu etc... Você precisa de um profissional competente e devidamente habilitado para te ajudar no restabelecimento de seu bem-estar e de sua saúde.

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    Sugestões inteligentes, críticas edificantes serão sempre muito bem vindas.

    Entenda, por favor, que todo ser humano comete erros e se engana apesar dos cuidados tomados e de todas as revisões feitas antes da publicação.

    Ao encontrá-los, não se acanhe, entre em contato para que possamos melhorar os serviços, por gentileza.

    Muito obrigado

    Ricardo Martins
    sensei@ricardomartins.pro.br