Ricardo Martins 3º Dan (Aikido Tradicional)

CREF 00482-P/RJ, Grau Prêto em MuayThai e KickBoxing, Treinador de Boxe, CrossFit – L1 Trainer, Coach especializado em Treinamento Físico Funcional e Pilates

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Aikido no Hanashi

Aikido Journal

Aiki News #23 (Maio 1977)
http://www.aikidojournal.com/article?articleID=675&lang=pt

Escrito por David Dimmick
Traduzido por Alberto Silveira Ramos
Revisado por Ricardo Martins

Há algum tempo atrás, um jovem estudante Americano, que tinha acabado de receber a sua graduação de “shodan” em Aikidô, decidiu visitar e treinar no Japão. No sentido de financiar a sua viagem e ganhar crédito académico, submeteu uma proposta para o estudo da história do Aikidô e seu desenvolvimento a partir de outras artes marciais. Tal proposta estava tão convincentemente escrita, que ele recebeu uma bolsa total por um ano. Após um curso intensivo de japonês, com a duração de 10 semanas no Centro Leste-Oeste, no Havai, partiu para a terra do Sol Nascente.

O ansioso jovem devoto do Aikidô dirigiu-se a um “dojo” em Aomori onde sabia que o professor era excepcional não só em Aikidô, mas tambémem outras artes marciais. Tinha a sensação de que este seria o melhor local para as suas pesquisas e treino. À sua chegada, parecia que o professor tinha tomado o jovem entusiasta americano sob a sua asa. Isto foi mal interpretado por alguns dos estudantes mais antigos do “dojo”. Um estudante, um 4º dan, que estava particularmente ressentido, quis ver quão bom era o Aikidô deste estrangeiro.

Briga

Uma noite, perto do final do treino, quando o professor foi chamado para fora do tatame por uns instantes, o discípulo viu a sua oportunidade. Após um breve “onegai shimasu”, eles começaram uma prática vigorosa. Conforme a cadência aumentava, o americano apercebeu-se das intenções do discípulo, e embora estivesse cansado, estava determinado a fazer uma boa exibição. “Não é apenas para a minha aceitação”, pensou ele, “mas para mostrar que o treino na América pode ser tão bom como no Japão”.

Deputados Federais brigam, também…

Ao aperceber-se da força renovada e da resistência do seu oponente, o discípulo entendeu que se tratava de uma aceitação silenciosa de seu desafio. Dando-lhes espaço, os outros estudantes começaram a afastar-se e a observá-los. O americano investiu, de braços esticados para lhe agarrar ambas as mãos. O japonês rodopiou, e como se estalasse um chicote, trouxe o americano à volta, encarando-o. Com um movimento de corte de uma espada, o decidido 4º dan arremessou o cutelo da sua mão sobre o pulso torcido do americano atirando-o, violentamente contra o tatame. A resposta foi vagarosa devido à fadiga, ouviu-se o som de um estalido e o americano largou um arfar de dor. Rapidamente libertado, o americano tomou a posição de “seiza” e curvou-se sobre o seu pulso.

Briga de Cães na rua

Com uma atrapalhação de “daijobu? daijobu?” (Não há problema?), os outros estudantes rodearam o jovem estrangeiro ferido, ajudaram-no a levantar-se e escoltaram-no para fora do tatame. Movendo-se na orla do grupo consternado, as faces dos alunos pareciam mostrar uma esbatida satisfação.

Pouco tempo após, o professor entrou de rompante na sala, dirigindo-se ao aleijado, seguido por estudantes que traziam gesso, água e ligaduras. Então, cuidadosamente, ele tomou o pulso partido e fez uma inspecção experiente. Havia uma ansiedade nervosa, mas ninguém falou ou atreveu a afastar-se.

Briga de Galos

Em quinze minutos a mistura de ligadura e gesso começou a endurecer. Limpando as mãos, o professor, pensativo, afastou-se um pouco e olhou para os estudantes ansiosos. O perturbado mestre pareceu crescer em altura conforme a sua face escurecia de raiva.

Baixa e determinada, a sua voz saiu com a força de um Deus. “Sore wa dame da!”, ele gritou. Num inglês sincopado, um japonês próximo traduziu para o confuso americano. O professor continuou: “Isto é uma vergonha para o Aikidô. O-Sensei quis eliminar esses conflitos de vaidade, orgulho e raiva”. Dirigindo o seu olhar para o aluno ferido, ele disse: “Tu não devias ter excedido as tuas capacidades apenas para demonstrares que, como estrangeiro, és merecedor.

Briga no Trânsito

Isso é orgulho. Agora vais ter de aguardar vários meses até poderes treinar novamente. Perdeste um tempo precioso.”

O professor voltou-se então para o discípulo. “Esta não é a primeira vez”, disse ele ameaçador, “tu és uma desonra para a arte. Há anos que O-Sensei baniu todas as disputas no Aikidô depois dele próprio ter sido responsável por uma lesão permanente que provocou a um grande artista marcial, num duelo. Quando O-Sensei percebeu que esse homem nunca mais seria capaz de praticar novamente, ele viu que as disputas nas artes marciais têm sempre consequências destrutivas.

Briga de Torcida

Testaste este estrangeiro por uma questão de vaidade e quando sentiste que ele era insolente na sua resistência, foi a cólera que imprudentemente o feriu. Não há nenhuma razão aceitável para perder o controle durante a prática. Partilharás com ele a sua perda. Não permitirei que pratiques no meu dojo até ele poder praticar de novo”, disse o professor apontando para o americano. “ Exijo que ambos assistam às aulas diariamente, sem falta. Vão sentar-se juntos a observar a prática. Esta será uma oportunidade para aprofundarem o conhecimento do verdadeiro espírito do Aikido e de superarem as vossas diferenças”.

E assim foi.

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    Aikido Journal

    As Origens do Kobudo Japonês
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    Aikido Journal #100 (1994)
    http://www.aikidojournal.com/articleindex?issueID=aj100

    Escrito por Meik Skoss
    Tradução – Jaqueline Sá Freire (Hikari Dojo – Brazil Aikikai – RJ)
    Revisão – Ricardo Martins

    Meik Skoss

    Meik Skoss

    Apesar do sistemático treinamento no uso de armas e os métodos para usá-las em batalhas existirem há muito tempo, acredita-se que o desenvolvimento das tradições, escolas, ou estilos marciais (ryu-ha) só surgiram após o final do período Heian (794-1185). O mais importante deste treinamento era o estudo do uso de arco e flechas (yumi), da espada (tachi), e da lança (yari). No inicio, estas armas não eram estudadas como artes separadas. Como a necessidade era de se preparar para o combate no campo de batalha, muitas armas diferentes e habilidades estratégicas e táticas eram ensinadas como parte de sistemas de estudo (sogo bujutsu).

    A partir do meio do período Muromachi (cerca de 1480) ao princípio do período Tokugawa (cerca de 1605) as pessoas gradualmente começaram a se especializar em uma determinada arma ou em um sistema, particularmente arco e flechas, lança, espada, lutas corpo a corpo e o uso de cavalos. Os guerreiros se reuniram em grupos centralizados em famílias ou treinavam com outros membros de suas áreas natais. Como as técnicas e os métodos destes grupos se tornaram mais e mais individualizados, ou a partir do ponto em que os professores tinham um ponto de vista particular quanto a natureza essencial e os princípios do combate, surgiram discretas “tradições” ou “estilos” ou “escolas” marciais (bujutsu ryu-ha). Isso começou a ocorrer no início da era Keicho (cerca de 1600), recebeu um maior ímpeto através do período Tokugawa (1600-1868), e prosseguiu até o século vinte.

    Kobudo

    Kobudo

    As áreas mais famosas pelo desenvolvimento das tradições marciais clássicas (koryu) se localizam, como é dito, na região de Kanto, “Heiho wa Togoku kara”: heiho vem do Leste, o que se refere à área de Kanto nas cercanias de Tókio (heiho significa artes marciais ou militares; estratégia). Os santuários de Kashima e Katori ficam dos lados opostos do Rio Tone nas áreas de Ibaraki e Chiba.

    Lá são adoradas as deidades marciais Xintoístas mais importantes: Takemikazuchi no Mikoto (Kashima Jingu) e Futsunushi no Kami (Katori Jingu). Eles, junto com a deusa Budista Marishiten, são os patronos e divindades protetoras de muitas das tradições marciais. Os registros históricos mostram claramente que os jovens guerreiros se reuniam, ou eram enviados por seus mestres, para um treinamento avançado nestes santuários, que se tornaram os centros para as artes marciais, após o final da era Heian. Eventualmente, isso levou à fundação das mais antigas tradições formais conhecidas nas artes marciais, a Kashima Shinto-ryu e a Katori Shinto-ryu.

    Morihei Ueshiba (Lança)

    Morihei Ueshiba praticando com Yari

    Durante o período Muromachi (1333-1568), quando o bujutsu ryu-ha começou a ser formado, guerreiros famosos como Aisu Ikkosai e Kamiizumi Isenokami Hidetsuna (que depois passou a ser chamado de Nobutsuna) do Kage-ryu, Chujo Hyogonosuke do Chujo-ryu, Iizasa Choisai Ienao do Katori Shinto-ryu, e Tsukahara Bokuden do Kashima Shinto-ryu viajaram através do Japão para treinamento militar (musha shugyo) para desenvolverem suas habilidades e para obterem melhor compreensão sobre o combate, e também para ensinarem seus estilos e sistemas individuais para guerreiros locais e para pessoas que tinham sido seus alunos no início de suas carreiras. Com o tempo, isso levou ao desenvolvimento de ramificações de escolas (bunryu) ou de facções (bumpa), que depois se tornaram a base para centenas de outras escolas estabelecidas em cada um dos domínios feudais (han).

    Kobudo 1

    Kobudo

    Após a metade do período Tokugawa e do firme estabelecimento de seu governo militar feudal (bakuhan seido), os senhores dos maiores e menores feudos (daimyo, shomyo) competiam para atrair guerreiros conhecidos por suas habilidades, e os nomeavam como instrutores nas escolas oficiais. Esses homens ensinavam aos senhores feudais e seus súditos hereditários como profissionais, servindo por um período de tempo e então indo para seu próximo trabalho. Não era incomum que uma escola particular se estabelecesse em uma área especifica e se tornasse uma parte permanente do currículo marcial. Em alguns casos um sistema marcial era designado como uma escola “oficial” (otome-ryu), sancionada e apoiada pelo senhor feudal local.

    Morihei Ueshiba (Bokken)

    Morihei Ueshiba praticando com Bokkuto

    Literalmente, esta condição de “oficial” significava que o estilo não podia ser estudado por guerreiros que não pertencessem àquele feudo em particular. Em raros casos, o que ocorria era que os instrutores de uma escola não podiam deixar a área do feudo, ou que a arte não podia ser demonstrada para pessoas de fora. Estudiosos da atualidade sugerem que, mesmo assim, esta proibição de guerreiros de outros feudos ou que os professores saíssem da área do clã nunca foi uma coisa absoluta e que quase certamente era uma exceção e não a regra. A proibição era mais teórica que qualquer coisa, pois os guerreiros estavam sempre se movendo entre Edo (atual Tókio) e seus próprios feudos e outros lugares devido a trabalhos oficiais.

    Registros contemporâneos revelam que não era raro que o bushi requeresse ou fosse mandado para treinar as artes marciais tradicionais ou nas escolas de outros clãs. Os daimyo, então, criaram escolas dos feudos (hanko) aonde seus guerreiros podiam estudar tanto assuntos acadêmicos quanto militares, incluindo estilos locais praticados apenas pelos guerreiros do feudo bem como as escolas mais famosas que eram seguidas por todo o país.

    Budo

    Budo

    Assim, os bujutsu-ryu proliferaram tremendamente, “brotando como cogumelos após o fim da chuva”, nas palavras de uma autoridade. No final do período Edo, de acordo com o Nihon Kobudo Sokan (Uma Visão sobre as Artes Marciais Clássicas Japonesas), havia cerca de 52 ryu-ha de kyujutsu (arco e flechas), 718 kenjutsu (espadas), 148 sojutsu (lanças), e 179 jujutsu (combate corpo a corpo). Mas as mudanças sociais, econômicas, e culturais que ocorreram no Japão durante os últimos cento e trinta e cinco anos (desde a Restauração Meiji em 1868) fizeram que muitos kobudo ryu e/ou seus sistemas afiliados (bunryu, bumpa) desaparecessem, deixando para trás nada além de seus nomes. Provavelmente não há mais que umas poucas centenas destas escolas marciais clássicas que tenham mantido seu currículo técnico de forma viva, junto com os documentos que detalham suas linhagens e tradições.

    O_sensei (Jo)

    Morihei Ueshiba praticando com Jo

    As artes marciais clássicas no Japão ocupam uma posição tênue na sociedade atual. Elas não são amplamente compreendidas ou estudadas por Japoneses ou por estrangeiros e isso cria ainda mais dificuldades. Bujutsu pode ser visto (justificadamente por um ponto de vista) como um anacronismo totalmente despido de relevância na vida moderna. De forma igualmente justificável, ele pode ser visto como uma herança cultural importante que pode nos informar e enriquecer a todos, não importando o que fazemos, de onde somos e quem somos. Talvez o fato de ele ainda existir no caótico ambiente da vida no final do século vinte seja uma indicação de sua vitalidade e adaptabilidade.

    http://www.aikidojournal.com/articleindex?authorID=11

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    "A aceitação da dor é o primeiro passo para suportá-la, caso contrário, o pessimismo, a impaciência e a intolerância, poderá transformá-la num fardo alem de suas forças." Ivan Teorilang

    Frase do Dia:

    Está se sentindo desorientado (seu "aiki" não está rolando), não sabe o caminho (DO) que deve seguir, tem problemas existenciais, precisa de aconselhamento. Percebe que uma "intervenção", no seu caso, é necessária porque já identifica problemas somáticos, psíquicos ou psicossomáticos.
    Não procure uma arte marcial, yoga ou atividade física. Nenhum "sensei", nenhum "shihan" por mais "graduado", experiente, maduro e inteligente que esta "divindade" seja vai te ajudar. Filiações não funcionarão, tampouco... Não perca seu tempo com guru, sensei, shidoin, shihan, Krus, do, jutsu etc... Você precisa de um profissional competente e devidamente habilitado para te ajudar no restabelecimento de seu bem-estar e de sua saúde.

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    Muito obrigado

    Ricardo Martins
    sensei@ricardomartins.pro.br