Monja Coen

Napoleão Xavier Gontijo Coelho
Yo Ho Ryo Kei – Monge Zen-Budista

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Não deve haver quem corre, somente a corrida.

O corredor deve se ater essencialmente à respiração e ir em frente, sempre em frente, sem almejar nada, não se preocupando com os vizinhos, com os amigos, inimigos, até que, em determinado momento, todos desaparecem.

A corrida só se faz quando quem corre, já abandonou a corrida e já não está presente mas, no entanto, não está ausente.

Amplie a todo instante o contato com sua respiração, mantenha atenção absoluta a tudo sem, no entanto, se envolver com nada, lide com a noção de unidade com todos os acontecimentos sem se apegar a nada.

Corra, respire.

A cada instante desmascare suas percepções, não se deixe enganar por nada: o feio, o bonito, o sagrado, o profano, o alto, o baixo. Essas são discriminações de sua mente consciente programada. Volte-se sempre para uma coisa só, por exemplo, a respiração.

Não esmoreça.

Num determinado momento você pode perceber que está correndo sem saber. A exaustão propicia isso de uma forma esplêndida. Neste momento você não está mais apto a ser observado pelos outros porque você já não sente os outros, na verdade os outros e você já não existem, ou melhor, nunca existiram.

O júbilo surge nesse momento.

Só o júbilo e não quem o sente. Esse júbilo é a possibilidade máxima, é romper o limite de todos as coisas e formas. Aí você vê o que é a realidade e por um pequeno momento, ou quem sabe por toda a eternidade, deixa de ver o que não existe, e vê o que realmente existe.

Nesse momento se desfaz a trama da ilusão da vida e da morte.

Nesse momento põe-se o pé na eternidade de onde nunca ninguém o tirou, dessa forma, a vivência passa a invadir todos os afazeres do dia-a-dia.

Aí …

… não há resíduos de nenhuma explicação da realidade;

… é a realidade limpa da irrealidade;

… não está você;

… não está nada além da absoluta percepção do todo atemporal;

… o som e o não-som não se confundem mais, simplesmente passam a ser o som e o não-som;

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