Bu Jin Design

Contribuição de Mark Adachi*

http://www.bujindesign.com/newsletter/2000.10.vol9/article5.shtml

Traduzido por Jaqueline Sá Freire – Instituto Takemussu – Hikari Dojo – R.J.
Revisado por Ricardo Martins

Aikidô e Quiroprática têm muito em comum, pois ambos envolvem o correto uso do centro do corpo. A Quiroprática se devota principalmente à correção da coluna. É interessante que, em japonês, vários dos caracteres que significam “centro” – “jiku” e “chushin” se referem a “eixo”. Eles refletem o fato de que o centro não tem apenas uma dimensão, mas se encontra na linha central do corpo. Esta linha central é a espinha.

A Quiroprática, em seu sentido mais pleno, não é apenas mover ossos, mas sim normalizar o acesso ao cérebro através dos receptores mecânicos, o caminho nervoso do movimento e da noção do corpo no espaço. Na Quiroprática usamos a sútil estimulação destes sistemas nervosos nos músculos, ligamentos e principalmente nas juntas, para ajudar ao corpo a se curar. A maioria destes caminhos nervosos existe no centro do corpo, na espinha. Assim, para ser realmente saudável, o centro do corpo precisa de uma enorme quantidade de percepção e de estímulo.

Quando uma pessoa se fere, com freqüência isso causa um choque no cérebro, e a noção de centro no corpo é perturbada. Por exemplo, uma pessoa pode continuar mancando um pouco mesmo depois de seu tornozelo machucado já estar bem. Mesmo sem precisar, o corpo acredita que seu centro tem que se mover para não aumentar o machucado. De forma paradoxal, esta postura alterada faz com que seja mais fácil machucar novamente o tornozelo. Quantas pessoas você conhece que machucam o mesmo tornozelo repetidamente? O tratamento de quiroprática reeduca o corpo para que seu centro volte a se estabelecer no centro de seu corpo.

O processo de tratamento na Quiroprática foi demonstrado uma vez vividamente por meu mestre, Dr. Takao Nakagawa. Veio ao consultório um paciente que era um quadriplégico preso a uma cadeira de rodas. Ele não podia sentir seu corpo abaixo do pescoço e não podia mover nada alem da boca e do rosto. Mesmo assim, ele sofria com muitas dores. Ele tinha uma terrível dor na base das costas, em um corpo que ele não conseguia sentir! Ele veio ver o Dr. Nakagawa, e eu fiquei observando seu tratamento. Eu estava pensando, “o que ele poderia fazer para tratá-lo?” O Dr. Nakagawa foi diretamente a um ponto de pressão na parte de baixo da perna esquerda e o estimulou com uma forte pressão por cerca de um minuto. Então lhe perguntou sobre a dor. Ela tinha sumido! Mesmo que o paciente não pudesse mover ou sentir conscientemente seu corpo, o corpo tinha “perdido seu centro”, e expressava esta perda do centro como uma dor “fantasma”. O Dr. Nakagawa sentiu isso instintivamente e usou o ponto de pressão como um atalho para corrigir a percepção de centro do paciente.

A Quiroprática e o Aikidô ajudam neste processo de reeducação. No tratamento feito por um terapeuta, o processo é mais passivo, com o paciente recebendo a estimulação feita pelo terapeuta. No aikidô o processo é mais ativo, com o uke e o nage juntos tentando manter o centro na interação da técnica do aikidô. Mas ambos testam e corrigem os sistemas de equilíbrio do corpo. Ambos buscam melhorar as funções do centro do corpo. Pelo meu ponto de vista, eles são apenas as duas pontas de uma única linha. Quando o corpo é ferido ou enfraquecido, o tratamento passivo é mais útil, quando a pessoa está forte e saudável e sem dores, o Aikidô é mais indicado. Em muitos casos, eles trabalham juntos, realçando as qualidades um do outro para maximizar o desenvolvimento do centro.

* Mark, Doutor em Quiroprática por profissão, é “Dojo-cho” de Glendale Aikikai. http://www.simonpure.net/aikikai/. Ele trabalha com a Quiroprática em Glendale, CA.

http://hikari1.multiply.com/journal/item/7/7
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